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Como escolher um presente de tecnologia que não vira “mais uma tela”
Família

Como escolher um presente de tecnologia que não vira “mais uma tela”

Guilherme Barbosa Ferrarezi02/10/20267 min de leituraWhatsApp

Resumo rápido

  • Ter ou não ter tela diz pouco sobre um presente. A pergunta que ajuda é: o que a criança vai conseguir fazer com ele?
  • Presentes ativos pedem que a criança decida, monte, teste e erre. Presentes passivos pedem só que ela assista ou toque para avançar.
  • Kit de robótica simples, impressora 3D de entrada, uma aula que ensine a criar e jogos com editor ou modo criativo costumam passar bem nesse filtro.
  • Cuidado com o rótulo "educativo" que esconde consumo passivo e com o presente tão caro que vira cobrança.

Chega outubro e muita família trava no mesmo ponto. O ano inteiro foi de negociação sobre celular, tablet e videogame: combinado de horário, aparelho que dorme fora do quarto, conversa sobre o vídeo que não acaba nunca. Aí vem o Dia das Crianças, e o pedido da lista é justamente um presente de tecnologia. Dar parece incoerente. Negar parece ignorar o que a criança gosta de verdade, e o mundo em que ela vai crescer.

A saída desse impasse passa por trocar a pergunta. Em vez de "isso tem tela?", vale perguntar "o que dá para fazer com isso?". É um filtro simples, que funciona tanto para um brinquedo de cinquenta peças quanto para um aparelho eletrônico, e que ajuda a separar o presente que ocupa o tempo do presente que desenvolve alguma coisa.

O critério: o que a criança faz com o presente

Uma tela ligada pode servir para duas coisas bem diferentes. Pode ser uma janela para assistir, rolar e consumir o que outra pessoa fez. Ou pode ser uma bancada de trabalho, onde a criança monta uma fase de jogo, anima um desenho, programa um robô. O aparelho é o mesmo. O que muda é o papel de quem está diante dele.

Para usar esse critério na loja, ou no carrinho do site, três perguntas rápidas ajudam:

  • A criança toma decisões ou só reage? Escolher a ordem das peças, as regras de uma fase ou o caminho de um robô é decisão. Tocar para passar para o próximo vídeo é reação.
  • Dá para errar e consertar? Presentes ativos quase sempre têm tentativa e erro: a peça não encaixa, o robô vira para o lado errado, o personagem cai do cenário. Isso é bom sinal. Se nada pode dar errado, provavelmente nada está sendo construído.
  • Sobra alguma coisa no fim? Um objeto impresso, uma fase jogável, um mecanismo montado. Quando o tempo de uso deixa um resultado que a criança consegue mostrar para alguém, ela estava criando.

Nenhum presente é perfeitamente ativo ou totalmente passivo, e está tudo bem assistir a um filme ou jogar por diversão. O ponto aqui é outro: se a preocupação da família é com o excesso de consumo passivo, o presente pode ajudar a equilibrar, em vez de somar mais do mesmo. O texto Tempo de tela x tempo de criação aprofunda essa diferença no dia a dia.

4 tipos de presente que passam bem nesse filtro

Os exemplos abaixo são categorias, não recomendações de marca. Antes de comprar, vale conferir a faixa etária indicada pelo fabricante, a disponibilidade de peças e suporte, e se o produto funciona sem assinatura obrigatória.

1. Kit de robótica simples

Kits com motores, sensores e peças de encaixe, programados por blocos visuais, colocam a criança para resolver problemas concretos: fazer o carrinho desviar de um obstáculo, acender uma luz quando algo se aproxima. O retorno é físico e imediato, o que ajuda muito quem ainda acha o computador abstrato demais. Para começar, os kits mais simples costumam render mais do que os completos: menos peças, menos frustração no primeiro fim de semana.

2. Impressora 3D de entrada

É o presente mais "de adulto" da lista, e precisa ser pensado assim. A impressora 3D transforma um desenho digital em objeto real, e isso costuma encantar: a criança desenha um chaveiro, uma peça para um brinquedo, um suporte para a mesa, e segura o resultado nas mãos no dia seguinte. Por outro lado, ela tem partes quentes, exige ajustes e algum cuidado com o ambiente em que fica. Faz mais sentido para crianças maiores e para famílias em que um adulto quer participar do processo junto. Sem essa companhia, corre o risco de virar enfeite na estante.

3. Uma aula ou curso que ensine a criar

Nem todo presente de tecnologia precisa vir numa caixa. Um curso de programação, de criação de jogos ou de robótica entrega algo que nenhum aparelho entrega sozinho: alguém para destravar a criança quando ela empaca e para mostrar o próximo passo quando o primeiro ficou fácil. Também tem a vantagem de não disputar espaço na gaveta. O cuidado aqui é o mesmo de qualquer escolha de escola: saber o que a criança vai conseguir fazer ao final, não só o que ela vai "ver" em aula.

4. Jogo com editor de fases ou modo criativo

Aqui está uma boa notícia para quem já tem videogame ou computador em casa. Vários jogos oferecem um modo em que a criança deixa de ser só jogadora e passa a construir: monta fases, define regras, cria desafios para os amigos. Não custa quase nada a mais e aproveita um interesse que já existe. Vale verificar se o jogo tem chat aberto com desconhecidos e ajustar os controles de privacidade antes de liberar o uso.

2 armadilhas comuns na hora de escolher

O "educativo" que só troca o rótulo

Muito produto usa a palavra educativo na embalagem e, na prática, funciona igual a qualquer aplicativo de entretenimento: a criança toca, assiste a uma animação, ganha uma estrela e passa para a próxima tela. Não há decisão, não há erro possível, não sobra nada no fim. Letras e números coloridos na tela não mudam isso. Aplique as três perguntas do começo do texto e o rótulo perde importância. Um presente sem nenhuma palavra bonita na caixa pode ser muito mais formativo do que outro cheio de selos.

O presente caro demais

Existe uma armadilha menos óbvia: o presente tão caro que passa a cobrar uso. A família investiu bastante, então espera ver a criança usando, e cada semana em que o kit fica parado vira comentário. O que era para ser curiosidade vira obrigação, e obrigação costuma matar o interesse. Em tecnologia criativa, começar pequeno tem outra vantagem: se a criança gostar, o próximo passo fica claro. Se não gostar, a frustração é menor para todo mundo.

Um presente que também pode ser uma experiência

Se a criança já demonstrou vontade de criar jogos, montar coisas ou entender como a tecnologia funciona por dentro, uma alternativa é transformar o presente em experiência. Na Santos Tech, a aula experimental é gratuita, presencial em Ribeirão Preto e sem compromisso. A criança participa de uma atividade real, com o professor ao lado, e a família sai com uma ideia mais clara do interesse dela antes de decidir qualquer coisa.

Para quem tem de 8 a 14 anos, o CREATE é o programa de criação de jogos, que vai do MakeCode Arcade até o Unity com C#, com progressão por níveis. Para os de 5 a 9, o JR trabalha lógica e sequência de forma lúdica, sem exigir leitura. Em ambos, as turmas têm até 10 alunos.

Seja qual for a escolha, o melhor presente de tecnologia é aquele que a criança ainda está usando para inventar alguma coisa algumas semanas depois do Dia das Crianças.

Perguntas frequentes

Dar um presente de tecnologia vai aumentar o tempo de tela do meu filho?

Depende do presente. Um jogo com editor de fases ou um kit programável ocupa tempo diante da tela ou do aparelho, mas com a criança criando. Se a preocupação é o consumo passivo, escolher um presente ativo pode equilibrar a rotina em vez de piorar.

Impressora 3D é um bom presente para criança?

Pode ser, para crianças maiores e com um adulto disposto a acompanhar. O equipamento tem partes quentes e exige ajustes, então funciona melhor como projeto em família do que como brinquedo para usar sozinho.

Como saber se um produto "educativo" é realmente ativo?

Veja se a criança toma decisões, se pode errar e consertar e se sobra algum resultado no fim. Se o produto só pede que ela toque para avançar, ele é passivo, mesmo com o selo de educativo na caixa.

A aula experimental da Santos Tech tem custo?

Não. A aula experimental é gratuita e sem compromisso de matrícula, feita presencialmente em Ribeirão Preto.

Quer ver se ele gosta de criar antes de escolher o presente?

Aula experimental gratuita e presencial, em Ribeirão Preto.

Agendar aula experimental

Leia também: Criar em vez de consumir e O que fazer com o tempo de tela.

Escrito por

Guilherme Barbosa Ferrarezi

Time Santos Tech

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